O Caminho do Bem
24/05/2012
22/05/2012
Canção
(Angelo Agostini, 1884 -David e Abizag)
O peso do mundo
é o amor.
Sob o fardo
da solidão,
sob o fardo
da insatisfação
o peso
o peso que carregamos
é o amor.
Quem poderia negá-lo?
Em sonhos
nos toca
o corpo,
em pensamentos
constrói
um milagre,
na imaginação
aflige-se
até tornar-se
humano -
sai para fora do coração
ardendo de pureza -
pois o fardo da vida
é o amor,
mas nós carregamos o peso
cansados
e assim temos que descansar
nos braços do amor
finalmente
temos que descansar nos braços
do amor.
Nenhum descanso
sem amor,
nenhum sono
sem sonhos
de amor -
quer esteja eu louco ou frio,
obcecado por anjos
ou por máquinas,
o último desejo
é o amor
- não pode ser amargo
não pode ser negado
não pode ser contigo
quando negado:
o peso é demasiado
- deve dar-se
sem nada de volta
assim como o pensamento
é dado
na solidão
em toda a excelência
do seu excesso.
Os corpos quentes
brilham juntos
na escuridão,
a mão se move
para o centro
da carne,
a pele treme
na felicidade
e a alma sobe
feliz até o olho -
sim, sim,
é isso que
eu queria,
eu sempre quis,
eu sempre quis
voltar
ao corpo
em que nasci.
(Allen Ginsberg)
13/05/2012
Belém, Blem, Blom
Ai, meu Deus, por que Deus me deu
uma cabeça tão grande? Sou cearense-pernambucana, sabe? Eaí? E daí? Por incrível
que parece por quê?! Contesto, dou gargalhadas, faço coisas pelo avesso,
desconheço, reconheço. Não preciso brincar para falar o que sinto. Sofro, me
divirto, atiço… Sou feliz, cada dia mais. Ai ai ai… Deus do céu. Te agradeço. AbeleZa. Ave mansa. Solta nos cabelos esvoaçantes. Ei. Legal!? Almas saudáveis no
eixo de marte. Ai, saudade, ai, saudade. Do ponteiro destrambelhado do meu Exu.
O sino da Igrejinha faz Belém, Blem, Blom. Sumo com o meu amor dos terrenos
habitados. Desapegada, amostrada, inspilicute. É a sorte. Vosmicê me dá uma história melhor? Tranco a
rua.
03/04/2012
Maracatu
O cravo do maracatu
maracatou o meu coração.
Maracatu afoito,
tomou uma destilada,
comeu a flor
e me deu a mão.
03/03/2012
Carnaval da gota grande
Ló Leila Diniz diz tudo!
As manifestações culturais batem na
nossa porta, entram pelas janelas, atravessam pontes. Nem precisamos nos
preparar, nascemos preparados para andar por aqui e por ali. Olinda como sempre
com a energia de cidade interiorana mesmo tendo zilhões de formiguinhas
passeando. Passei o fim de semana pós carnaval na cidade alta, curtindo o vazio
dos paralelepípedos, observando a hora para não ficar sem cigarro. O mesmo
bêbado na esquina, os mesmos meninos e meninas, aquelas casas, histórias.
Depois de três dias seguidos nas Holanda, nas ÓhLinda, subindo e descendo
ladeiras em plenetéreo carnaval, foi reconfortante abraçar a panaceia.
Os cantos, os risos, o rufar alfaias,
trompetes, trombones, das laias, dos sinos. Os cheiros cheios de cores, cheios
de amores. As sincopes arriscadas no meio da massa, os encontros e desencontros,
ainda ecoam e os momentos vêm. Livres e apegados às máscaras, fantasias se
confundem e se entrelaçam. Saí de fada e realizei desejos de outros, outros,
desejos meus. Encontrei no ar chaves perdidas, margaridas de bem com a vida. O
Educandário das Moças Libertinas continuará aberto, podem se matricular
conosco, inclusive os moços. É preciso ser muito liberta para ser, sempre, você
mesma, dentro do bando, do mangue, do transito. É preciso se desapegar, sonhar,
ousar, seguir o coração, acreditar, amar, fazer, doar.
Um dos momentos mais sublimes, graças
ao Salvador foram muitos, se deu no casario do Barão de Olinda… Olá, Junio! Ele
me pediu um abraço, e eu, em êxtase, pedi uma música. A voz de Junio Barreto
ainda está no meu ouvido, como a minha mão no seu ombro: “Teu corpo luava ouro/
Nos banhados que a chuvinha fez// Nas lavadas que ramalha flor/ Nos setembros
de chegar//Tu reinas vasta nas cheias de cada maré/ És flecha soltada do aroma
da mata/ Clareia dos olhos, candeia medonha// Jardim elétrico, pelo pedrado da
rua/ Vens doce bela, bem vinda/ Na minha casinha morar”. A poesia musicada
desse ser é doce, sedutora, marcante, máscula. Sou super fã. Você não conhece a
música de Junio? Mentira! Saca essa resenha feita com todo prazer por mim e Daniela
Galdino e ouça o som. (http://revistazena.com.br/a-poesia-musicada-de-junio-barreto/).
Falando nela, peça rara no carnaval da minha vida, esbaldou a sua graça,
trouxe uma felicidade límpida para os meus dias. Apesar das opressões e ironias
mesquinhas, Daniela deu um show de singularidade. Lorenza Mucida, outra sereia
marginal de Itabuna, a la Leila Diniz, me matou de orgulho, em todos os
sentidos. Faltou só a minha irmã arredia, Diana Cavalcanti, e toda a sua
impetuosidade largada, natural, ancestral. Amo essas moças como amo a minha
vida, e todas as discrepâncias, jeitos, olhares, momentos... Larguei Daniela
para ficar em Olinda, que largou Lorenza para ir ao destino, que Lorenza largou
para viver a vida, que Diana largou para ficar sossegada. Felizes ou prestes a
ser.
Está tudo escrito. Encontrei um ex que me deu gás para
entrar na noite da segunda de carnaval, se não fosse por ele, depois de Olinda, eu tinha ido pro berço. Ao me ver, perguntou aflito: “Estais morando fora, sua
sumida?!”. Estou. Lá no grogotó da Chapada, no meio do mato, usando a imaginação
para escrever um livro de ficção científica. Adoro contar mentirinhas no carnaval, detalhe. A minha irmã
Cami, o nosso carretel deslizante, rodopiante, soube dos gêmeos de Gueu por
Manaíra. Ana Maria me ligou todos os dias. Liguei pra Gôda, lembrei de Leda, do carnaval passado. Felipe e Marina ficaram preocupados. Tão lindos! Descansei as pernas no sofácama do Quintal Coletivo, na boníssima companhia da
turma de Garanhuns. Leo! Fernanda! Chico! Katarina! Eliberto! Depois levantei,
flutuando como água viva, altiva como um papangu, fui ver os olhinhos do meu
amor.
Lirinha, eu adoro dar mordidelas na minha língua, és o meu eterno visgueiro. Há cenas de carnavais inesquecíveis, só uma memória aguçada fixa. Numa delas, o Cordel do Fogo Encantado, em 2001, ainda na Rua da Moeda, subiu em cortejo no palco. Atravessar as estradas empoeiradas do Sertão ouvindo você resignifica tudo, como é com Joãozinho do Exu, Gonzaga, Joquinha. Ouçam “Espelho das águas do Itamaragi” de Gonzaguinha. “Ducontra”, “Ela vai dançar”, “Nada a fazer” e “Eletrônica” são as minhas preferidas do disco novo de Lirinha. O show no Rec Beat de 2012 me fez pensar que eu não havia entendido bem o seu recado. Fui à loucura ao sentir “Sistema Lacrimal”. É fato, a presença de José no palco é contagiante, senti falta dessa energia na gravação do cd, mas depois de vê-lo, as nuances se revelaram. A luz veio bater cá, lá, dó, sol. Vamos deixar a tristeza e engatar a primeira nas curvas da vida. Transformaria, apenas, Memória em anagrama. Acabei perdendo a máscara e a vergonha no final da noite. Obrigada.
Ver e ouvir a passagem de
som das ferinhas, na tarde da sexta de carnaval, com mote em Alceu foi inesquecível. Otto cantou a minha
música, aquela sobre a onça pintada e o tiro certeiro, sabe? Pertinho ou com a
chuva caindo, carnaval da gota grande bom e sereno. Criolo, silencioso,
contemplava os prédios antigos, inalava o cheiro da maré, da nossa cultura.
Maestro Spok, Catatau, Pupilo enxerido, tirou até a camisa. Nem ia comentar
isso, mas uma amiga de trabalho, preciso preservar a identidade dela, moça séria, noiva,
rsrsrs, confessou que ficou louca quando Seu Jorge tirou a camisa. “O bicho tem
um ziriguidum”, disparou. uhuhuhuh Adoro! Sempre liberava um namorado baterista que tive.
Tire, amor, tire a camisa, a desculpa é o calor. José Teles, tire também um desconto. O show foi do canário!
“Dentro do mar, o céu é lindo… Dentro
do céu, o mar é lindo… Dentro do mar, o céu é lindo… Dentro do céu, o mar é lindo…
Dentro do mar, o céu é lindo… Dentro do céu, o mar é lindo… Dentro do céu, o
mar é lindo… Dentro do mar, o céu é lindo…”. Gosto de mar na boca, gosto de amar. Ficaram vários mantras…
várias caras. Carnaval cura, silêncio cura. Festa da Lavadeira tá chegando, dia 1º de maio. O menino levou o sino
de fitas coloridas da papangu, feliz com a lembrança, porém, o coração
desenhado na bunda da menina ainda está intacto.
até a próxima!
=D
03/02/2012
12/01/2012
Fonte
Tenho águas marinhas dentro do
peito, e flutuam letrinhas divinas bailarinas. Dou um pulo, consigo agarrar uma
e coloco aqui. Como quem não disse nada, nunca dirá, talvez. Na incerteza das
levadas atiro pedras cada vez mais longe, cada vez mais perto, dou um tiro no
pé e outro pulo. Poupo o coração desenhado na bunda da menina, do menino azul. Deixo
de ler o passado, perco o interesse nas maquinas, nas ondas radioativas. Queria
conseguir entrar no barco, mas nasci para nadar nas correntezas adversas da
vida. Aceito o trabalho e me dedico, redobro a minha resistência ao plantar uma
roça de palmeiras, mandacarus, baobás, tomates, flores do campo. Êta labuta pra
dar alegria. Sinto-me mais viva.
Consertei os quadros tortos dos
casarios, desenhei na parede do quarto a minha sorte, confessei aos espelhos dos
bares os meus erros. Morri de amor nas estradas empoeiradas do sertão para que
a vida fosse altiva, alegre, forte. A trindade desfez os desenganos, vacilou a
boba dor da morte e se esvaiu. Os relógios apressados, atrasados, da natureza morta, como pasto
inflamado viraram cinzas. Pare este ponteiro, seu menino! Vamos saborear o
tempo dilatar nas veias mornas. O louco na sua pura realidade rouba uma
coxinha, senta num canto de parede seboso e se lambuza com alegria. Tento
decifrar o seu sorriso, não consigo, mas ao ver sinais da idade alguma coisa me
dói.
Enforquei os meus pés dentro de
botas, joguei-las longe e segui descalça sobre pequenas rochas.
Subi o Padre Cícero de joelhos, pedi a sua astúcia sobre os desmandos do faroeste.
Respeitei os doidinhos dos hospícios, cantei com eles o campo de batalha cheira
morte. E nos parques verdes do destino, me entreguei ao medo e fiz dele
coragem. Vomitei nos pés de César um pergaminho, dei um nó seguro na gravata de Holofernes. Ademais
as fábulas do povo tão etéreas, me divirto com as línguas maledicentes. O
plural antes do verbo dos caminhos, agrestinam o ar sagrado e seco das
andorinhas. Para não perder o trato e apaziguar as grosserias, me afasto do
nefasto cargo dos desatinados. Se é verdade que a solidão ensina, refino alfenins
de mel e cachimbos no alto da colina.
Registros de uma mente desdatada:
Hoje a minha amiga Daniela Galdindo está lançando o seu livro, Inúmera, na Casa
dos Artistas de Ilhéus. Toda energia positiva e felicidade daqui - esse livro vai voar, quero o meu. Hoje o
meu irmão, Matheus, está completando sete aninhos, queria muito abraçá-lo e
beijá-lo.
Sobre "Inúmera":
"(...) De baixo para cima o
livro Inúmera é um pertencimento de mundo, um recado que aposta todas as cartas
em uma saga: provocação. Uma experiência una e múltipla, ao mesmo tempo em que
o gesto solidário traz as margens para dentro das imagens (...)"
(Tânia Lima, Poeta e Professora
da UFRN - Natal - RN)
"(...) Erotismo vingando
séculos de passiva subserviência. Eis a vez do desejo: intenso, pulsante, para
despertar a vida, ingerir e digerir a vida, engendrar a vida. Necessária para
tirar o corpo da inércia, da inépcia, atirá-lo em mergulho abissal dentro e fora
de si, saltar precipícios, mover lancinante matéria, animá-lo com sentimento,
distante de qualquer sentimentalismo (...)"
(Daniel Fernandes, Músico - Rio
de Janeiro - RJ)
"(...) Inúmera tem a
vitalidade impressa na linguagem escrita que a vida da autora apresenta em seus
rasantes de cometa próximo à crosta terrestre. O cometa incendeia e – em si – é
água solidificada que flana no ar (...)"
(Carlos Barros, Cantor,
Compositor e Sociólogo - Salvador-BA)
11/01/2012
Nos baraltos da vida
Um minuto, mil ideias
Queria apenas contemplar
Mas lembro dele ao ver um sabiá
Tá tudo azul, manga espada
Sibito por ali, por aculá
Gato, gatinho, gatão
Saco de lixo, preto
Dona Maria! Dona Maria!
Tijolos guardam eras
Eras tão belas
Papoulas, aulas, tolas
Fala mais baixo, diz
Falo mais alto, sou insensato
Choro quando quiser
Você não pode me ouvir
E daí? E daí?
Do que come saiu comida
Breve é a vida!
04/01/2012
2012
Abraço o Recife
em cima da Ponte Giratória, sinto vontade de pular onde deságuam os rios, mas estou muito atrasada. Respiro a brisa do mar de um lado e do outro o cheiro dos
manguezais, trazidos pela correnteza das curvas da vida. Respondo o bom dia do mendigo. No outro ele me diz, até amanhã. Você não me vê, mas eu te vejo bem. E quando
gosto no fundo… evito numa esquina, numa escada torta. Uma ou mil vezes na
roda. Gigante é o meu coração. Bato cabelo para um lado e pro outro com uma
risada torta, danço um Muddy, me embriago e canto. Converso com peixes, homens, mulheres, tento desvendar sonhos, provérbios. Canso de tudo, respiro fundo quantas vezes
for preciso, é preciso degustar o mundo. As luzes azuis do Natal ainda piscam em casa, a chama da primeira luz de Jesus. Estais viva! Bato palmas pro futuro, afinal, o ano
está só começando.
No mais, muita luz e muita paz pra todo mundo e para os amigos do peito. Um ano novo cheio de lithium e óxido nitroso. uhuhuhuh
No mais, muita luz e muita paz pra todo mundo e para os amigos do peito. Um ano novo cheio de lithium e óxido nitroso. uhuhuhuh
"Subo e desço noite e
dia,
noite e dia subo e desço
por mil escadas de nuvens
no castelo em que padeço.
Subo com ramos de flores,
e a água dos jarros esqueço,
há mil escadas de nuvens
no trabalho que ofereço.
Ai, que trabalho tão grande
nas nuvens que subo e desço
não só por águas e flores,
mas recados de mais preço,
que me mandam, que me chamam,
neste sem fim nem começo,
castelo entre a vida e a morte
de um dono que não conheço.
Subo e desço noite e dia,
gasto-me e desapareço...
Ai que castelo tão alto,
tão alto e sem endereço!"
noite e dia subo e desço
por mil escadas de nuvens
no castelo em que padeço.
Subo com ramos de flores,
e a água dos jarros esqueço,
há mil escadas de nuvens
no trabalho que ofereço.
Ai, que trabalho tão grande
nas nuvens que subo e desço
não só por águas e flores,
mas recados de mais preço,
que me mandam, que me chamam,
neste sem fim nem começo,
castelo entre a vida e a morte
de um dono que não conheço.
Subo e desço noite e dia,
gasto-me e desapareço...
Ai que castelo tão alto,
tão alto e sem endereço!"
Cecília Meireles
18/12/2011
Viva Gonzaga!
"Para um coração mesquinho,
contra a solidão agreste,
Luiz Gonzaga é o tiro certo".
(Chico Buarque)
17/12/2011
A quintessência da Fliporto
Sereias Marginais no Sarau da Lua
A Praça do Carmo, em Olinda, ficou pequena para a VII Festa
Literária Internacional de Pernambuco (Fliporto). Nesta edição, o evento
inaugurou o espaço Fliporto Nova Geração, Sebo Armorial, Porto da Poesia e
Palco das Artes. No ano passado, falei do borbulhar ocasionado pela mudança para
Olinda, a cidade realmente sentiu a poesia, a literatura atravessou pontes e subiu
ladeiras.
Para confirmar essa elevação, Deepak Chopra nos falou,
na abertura das conferências (11), sobre a consciência da natureza humana. De
acordo com o pesquisador - tido como guru por muitos, o corpo físico se renova
todos os dias, provocando, assim, um dilema espiritual (corpo físico X corpo
mental). “O nosso corpo é a confluência da poeira das estrelas e da consciência.
A consciência é a chave. A ação no amor é poderosa”, filosofou como se dissesse
o placar de um jogo, depois confirmou com dados de biologia e física quântica. E
questionou: “De onde surge o pensamento e para aonde eles vão?”.
Sobre o 11.11.11,
Chopra acredita que o significado é o que queremos que seja, mas de uma forma
geral, as manifestações recentes no mundo demonstram a energia do momento – ‘O
mundo é uma célula viva pulsante’, escrevi na última capa da Revista Zena, título
inspirado no amigo Capra. O guru americano também lembrou a importância de ter o
sentido Yoga nas nossas vidas: SER/SENTIR/FAZER. E nos convidou a entrar
silenciosamente na alma por meio da meditação. Saí da palestra leve, leve, mas com
uma frase de Deepak para os amigos poetas que iria encontrar no Terraço de
Olinda, lindo bar e ateliê de Marisa: “Infelicidade existencial gera arte,
poesia, literatura”.
Alice Ruiz nos falou sobre as particularidades do haikai: simplicidade, supressão do eu, apaziguamento do ego.
Joumana Haddad nos apresentou o livro “Eu matei Sherazade – Confissões de uma
árabe enfurecida” e comentou inflamada: “Precisamos nos enfurecer, nos indignar
diante das injustiças do mundo”. A editora Carpe Diem lançou um livrinho lindo com as cem melhores poesias do
concurso TOC140 da Fliporto no Twitter.
Entre os destaques, “Tempestade”, de Lidiane Carvalho, Feira de Santana (BA),
“Felicidade”, de Rubeneide Araújo, Arcoverde (PE), “Romper”, de Juan Salazar
(SP).
As revelações do circuito alternativo, tanto novas,
quanto experientes, como os poetas José Inácio Vieira e Malungo, foram
imprescindíveis. Malungo publica a fanzine
trimestral “De cara com a poesia” desde 2002 - produção independente e
distribuição gratuita. Na Casa de Hilton, ouvi o tema da Fliporto, “Uma viagem
ao Oriente”, na apresentação da banda Mantra Reggae. O evento acontece há sete
meses, todo segundo domingo do mês, na Rua do Sol, com recitais e intervenções
artísticas. O Sarau da Lua, promovido pela turma literária de Garanhuns, teve
como ponto alto a apresentação das Sereias Marginais, trupe nascida de um
improviso no Alt. Fest! Fliporto por Daniela Galdino (BA), Lorenza Mucida (BA)
e Diana Cavalcanti (PE).
O II Alt. Fest! Fliporto, patrocinado pela Fliporto e
Prefeitura de Olinda, é um evento colaborativo e acontece em dois pólos. Na Oca
das Artes, Mirante da Ribeira, onde o verbo correu nu e penetrou nas cidades. E
no Terraço de Olinda, onde conheci Mané do Café (RJ) e os
seus cigarros poéticos, no qual “inalei” Victória F.: “No teu embalo
maternal/ O relógio secular, solene/ Ressoa a cada seis minutos a hora/ E a
estranheza de nunca haveres/Nunca/Perguntado o meu nome”.
Cortejo na Praça do Carmo
Saramago na cozinha de Hilton, Firmino Rocha no Sarau
da Lua, Álvaro de Campos na Igreja da Boa Hora, Corujão da Poesia e Poetas Del
Mundo em cortejo na Praça do Carmo, os Sussurradores de
Poesia de Caruaru. “O primeiro poema, “O Mar”, recitei em homenagem a
Lula Côrtes. Depois saímos pelas ladeiras recitando toda poesia do mundo. Celebramos
a vida como se ela fosse uma taça de champagne. Muito sentimento e improviso,
deliciosas discussões, inteligência fazendo cócegas no juízo”, comentou
extasiada a poetisa e atriz Diana Cavalcanti.
15/12/2011
O manifestante
Amei a escolha da “personalidade do ano” da Revista
Time. “O MANIFESTANTE”, uma alusão à
mulher árabe e aos protestantes ao redor do mundo. Lembra os cartazes
soviéticos com seus gritos de transformação. Hetttttttttttt!!!!!!
O Volkona – 1972
(réplica de
cartaz soviético que possuo)
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